Quem?

Sou professor desde Outubro de 1978.

Professor primário, entenda-se. Podem chamar-me “professor do primeiro ciclo do ensino básico”, se acharem mesmo necessário usar tanta palavra.

Pertenci à primeira fornada de estudantes do Magistério Primário com um curso de 3 anos.

Trabalhei uns anos na Telescola. Os dois primeiros anos em Ferrel, perto do mar, junto à costa mais bonita de Portugal! Depois, mais perto de casa. Gostei.

Trabalhei um ano na Educação Permanente (supunha que ia trabalhar no sector dos audio-visuais, e fui: atendia a campainha da porta, era suposto atender o telefone que se encontrava na outra ponta do apartamento onde aquilo funcionava, mas achava que quem estava a meio metro do irritante aparelho bem o pdia fazer – isto quanto ao audio; o visual correspondia a fazer fotocópias!). Fartei-me depressa.

Passei ao primeiro ciclo. Saltitando, como era norma, de escola em escola, nunca muito longe, felizmente, que a idade e o tempo de serviço já o permitiam. Fui responsável por turma e professor de apoio (35º).

Trabalhei no Projecto Minerva. Alguns dos melhores anos da minha vida profissional, onde, ainda por cima, arranjei amigos (mais amigas que amigos) entre colegas de profissão. Bons amigos, esplêndidos amigos! Acabou! Ficaram as amizades, felizmente. E as competências adquiridas. Que pareciam não interessar. Como professor do primeiro ciclo, a esperança de voltar a ver um computador na escola era quase igual a zero – o zero absoluto, para quem não saiba de que realidade falo.

Alguns anos depois, graças a mais uma medida do Ministério da Educação (que obrigou a voltar à escola um professor de Física destacado para dinamizar o mini-planetário da Câmara de Leiria), tive a sorte de poder assumir essas funções. Com um vereador do pelouro da educação muito exigente, mas inteligente, culto, justo, sensato, que gostava de Ciência e tinha orgulho no trabalho da sua equipa, encontrei-me a trabalhar com uma antiga professora, que respeito e estimo e, mais tarde, com um colega e grande amigo. Com o lançamento do programa Ciência Viva, pude desenvolver um projecto de que muito me orgulho. Que, nos anos seguintes, acabou mal . Com outro vereador, outro estilo, outras prioridades, o projecto acabou ingloriamente e vergonhosamente. Aprendi. Tarde.

Voltei à escola. Pela primeira vez, quatro anos na mesma escola! Pude acompanhar, pela primeira vez, um grupo de alunos ao longo do seu trajecto pelo primeiro ciclo. Não eram muitos – sete! A turma recebia alunos de outros anos. Cheguei a ter alunos de três anos de escolaridade, com os mais diversos problemas. Era normal trabalhar assim. Cansativo, muito cansativo, mas nada de estranho. Valeu-me, devo reconhecê-lo, a experiência de gestão apertada e espartana do tempo, adquirida na Telescola. Pela primeira vez, fazia sentido trabalhar com os pais. A regra era o respeito mútuo. Mais uma boa experiência.

A convite do Agrupamento Horizontal, integrei o projecto da Rede de Cooperação e Aprendizagem, do Centro de Competências “Entre Mar e Serra”. Mais uma vez, uma equipa magnífica. Desta vez, ao contrário do Projecto Minerva, a equipa era maioritariamente masculina. Pouco vulgar, para quem trabalha no primeiro ciclo… Voltei a trabalhar como um cão, mas valia a pena. Aprendi muito, evolui muito tecnicamente, mas também pedagogicamente. O projecto implicava um destacamento por três anos (anual, renovado…). Acabou ao fim de dois. Porque… já não me lembro da explicação oficial. Interessa? Foi há coisa de três anos (estamos em 2007/2008)… Façam contas, se quiserem mesmo saber quando foi. Será fácil, então, perceber porque foi.

Voltei à escola. Já no quadro de escola, agora titular (eu que sempre fui republicano!) voltei a trabalhar com pessoas que respeito e de quem gosto. Mas cada vez é mais difícil. Não é a idade, e os miúdos não me fartam. É preciso explicar?

2 respostas a Quem?

  1. Viva,
    Quero apenas dizer que é de pessoas como tu que a educação precisa!… E da rede de cooperação guardo a recordação da grande equipa, que sem ti, tenho a certeza, não teria sido a mesma.
    E o que posso dizer mais… que espero com teu exemplo, também quando tiver mais perto do fim da minha carreira, conseguir aprender com te vi aprender, pois um professor além se ensinar nunca se cansa de aprender!
    Um grande abraço,
    Pedro Alberto.

  2. plsimoes diz:

    Gracias, hombre! Mas é fácil tentar aprender quando essa é a atitude de muitos outros dos que nos rodeiam. E era o caso. com percursos, formações e perspectivas bastante diferentes, todos estávamos ali porque o projecto nos interessava. E, apesar do trabalho inerente, conseguíamos arranjar tempo e energia (noite fora…) para investigar e produzir mais qualquer coisa!

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