Exames e Nuno Crato

O meu filho mais novo fez, hoje, o seu exame de Matemática do 12º ano.

Ao início do dia, voltei a ouvir a SPM alertar para a provável quebra de exigência nos exames de 12º a exemplo do que já acontecera com os exames do ensino básico.

Ao almoço, o meu filho confirmou-me que o exame era fácil. Sei que o jovem não terá, provavelmente, ainda, total consciência do papel que um professor exigente e competente, no 11º e 12º anos – ao contrário do que aconteceu no 10º ano – e o apoio extra-escola, o prepararam melhor para o exame. Mas há um argumento imbatível: na sua preparação, ele procurou resolver provas de anos anteriores e é peremptório: a prova deste ano era demasiado fácil. O que dá, neste aspecto, razão a Nuno Crato. Até aí, tudo bem. O problema é que este assunto não é uma questão entre NC e ME: ainda alguém acredita no Ministério da Educação?

A gargalhada tão falada há dias, perante mais uma profecia de Walter Lemos, a forma como foi recebida pela opnião pública (anestesiada, embora, pelo Euro 2008), mostra que não, ninguém já acredita no ME. E agora?

Como professor, mantenho muitas dúvidas acerca do caminho que prosseguimos. É que este parece ser mais um problema que nada tem a ver com construtivismo – e tenho visto tantos, ao longo da minha vida profissional!

Nota final: alguém se espanta que um professor fale de professores competentes ou não, exigentes ou não? Se me opus – e oponho, como cidadão e profissional – à política para a carreira docente, não é porque não reconheça diferenças, e grandes, entre o mérito de muitos docentes (comigo no molho, evidentemente). É pela forma como se fala em resolver isso, a forma como isso serve de pretexto para outras coisas que nada me parecem ter a ver com qualidade de ensino. Há muito tempo que não compreendo que nos espantemos ou indignemos pela manifestação, pelos pais, de críticas ao nosso trabalho: não o fazemos em relação a médicos, engenheiros, arquitectos? Não procuramos escolher os melhores profissionais quando está em jogo a nossa saúde? Não falamos alto e bom som contra o enfermeiro X, o médico Y, o funcionário Z? Sem sermos médicos, enfermeiros ou técnicos de outra coisa que… de ensinar.

Um último apontamento: o jovem em questão afirma que trabalhava muito mais no primeiro ciclo do que no segundo e terceiro, com algumas excepções – e é aqui, também, que Nuno Crato pesca e… neste aspecto, com alguma razão!

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