E agora?

Ontem, à noitinha, vi e ouvi a senhora, com a sua expressão habitual, explicar que ceder à exigência sindical seria nivelar o processo por baixo e que o que “nós” queremos é “puxar” as menos boas – convenhamos: os covis onde essa ralé imunda se acoita – para um nível de excelência. Hoje, despertado como habitualmente pelo noticiário das sete horas, na RDP-Antena1, verifico que ouvi mal ou que, estúpido como sou, não percebi a senhora.

Sim, porque não passará pela minha cabeça a torpe ideia de que, afinal, as posições defendidas por essa encarnação do mal que insistia em “puxar” as boas para baixo, essas pérfidas pretensões, tinham alguma lógica, não eram apenas o acre e tóxico veneno do conservadorismo sindical-comunistóide.

Há, contudo, algumas outras ideias que teimam em passar por cá. Enquanto não desistir de pensar. Tento colocar-me no lugar do outro. É um bom exercício. Mas difícil, porque cada um é como é. Como me sentiria se tivesse de usar evasivas para tentar fugir à constatação de que cedi e cedi bastante, quando faço gala de não o fazer; quando assumo que: a) tenho sempre razão; b) os outros não querem é fazer nada… Não sei, é uma situação demasiado estranha para mim. Mas suspeito que sentiria vergonha. Se a tivesse. O que não é, evidentemente, garantido.

Quando esta gente chegou ao poder, há tempo demasiado, tinha a seu favor, para além de uma maioria absoluta, um enorme tempo sem pressões eleitorais para reformar o país. Aparentemente, fizeram mal os cálculos – tanto assessor, ninguém viu o óbvio? – e uma legislatura não chega. Afrontar meio mundo, humilhar as pessoas, para enfraquecer qualquer oposição, para prosseguir as reformas idealizadas, sem ouvir ninguém, afirmando, ou deixando afirmar, as maiores alarvidades, para desvalorizar qualquer crítica, qualquer alternativa, resultou até se verificar que o calendário não perdoa e que as eleições vinham aí, a galope. E o mais estúpido, incrivelmente estúpido, é que uma boa parte do apoio perdido – se não para sempre, por muito tempo! – poderia ter sido mantido. Se, em vez da boçalidade, da arrogância brutal, se tivesse gerido, de maneira inteligente, as divisões que, necessariamente e evidentemente, existiam e existem – nessa classe, como em qualquer classe profissional. E, já agora, custava muito trabalhar com prazos e calendários minimamente razoáveis? E mesmo, se não fosse pedir muito, racionais?

Pois é! Esquecia-me! Há sempre aquele Princípio de Peter!

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