O Sol e a Terra… outra vez, ainda e sempre?

26 26UTC Junho 26UTC 2008

Pelos vistos!

Quando, como resultado de uma pesquisa no Google, encontrei um chorrilho de disparates no sítio da Júnior (ver post de 12 de Abril – aqui ) a propósito das causas das estações do ano, entrei em contacto com os responsáveis pelo sítio – o que me deu direito a passar a receber a newsletter. Hoje voltei a procurar informação sobre as estações do ano na Júnior (as newsletter funcionam! O pessoal clica mesmo nas ligações e visita o sítio. Isso, a Júnior sabe e faz bem).

Imaginem a minha extrema alegria ao encontrar, disponível para os meus alunos, esta preciosidade da desinformação:

  • A Terra é como se fosse uma bola muito, muito grande que anda à volta do Sol. Demora um ano a dar uma volta inteira.
  • As estações do ano existem por causa da inclinação da Terra e pela volta que a Terra dá em torno do Sol. Nessa volta há alturas em que passa mais perto dele.
  • Sabias que as estações do ano não acontecem na mesma altura na Terra toda? Por exemplo, quando em Portugal é Verão, em Moçambique é Inverno.
  • Entre a estação mais quente e a mais fria há outras duas. A Primavera fica entre o Inverno e o Verão, e o Outono entre o Verão e o Inverno.
  • As diferenças no tempo entre as estações sentem-se mais nos sítios longe do meio da Terra.
  • Se dividirmos a Terra ao meio, ficamos com duas partes: a de cima e a de baixo.
    Essas metades chamam-se hemisférios e a linha que os divide chama-se Equador. Aí a temperatura é quase sempre a mesma todo o ano.

http://www.junior.te.pt/servlets/Jardim?P=Sabias&ID=398

Anda a Senhora Ministra a preocupar-se com a formação de professores. Anda o Nuno Crato a gastar-se em divulgação da Ciência! Reparem como é simples encontrar o meio da Terra! Reparem como é óbvio que uma esfera (em rotação) se divide ao meio pelo equador!

De facto, deve ser um pouco difícil, com a bola a girar, ou aos pulinhos como na imagem que apresentam, para divertir a canalha, cortá-la ao alto sem a parar. O que seria um desastre. E o que acontecerá às duas metades cortadas pela Júnior, uma vez anavalhadas? Ah! Claro, ficam presas pelo arame!

Será possível? Que fica a saber um aluno com isto, que não soubesse antes de aceder ao sítio? Que fica a saber um aluno, depois de aceder ao sítio? Obviamente, menos do que sabia!

E, ainda (e, pelos vistos, sempre), Júnior insiste em deixar a relação entre distância ao Sol e variação da temperatura!

Mantém-se a pergunta: uma leitura mais extensa do sítio da Júnior mostrará quantas asneiras? E, já agora, onde podemos encontrar informação adequada para orientarmos os nossos alunos para lá?


Exames e Nuno Crato

23 23UTC Junho 23UTC 2008

O meu filho mais novo fez, hoje, o seu exame de Matemática do 12º ano.

Ao início do dia, voltei a ouvir a SPM alertar para a provável quebra de exigência nos exames de 12º a exemplo do que já acontecera com os exames do ensino básico.

Ao almoço, o meu filho confirmou-me que o exame era fácil. Sei que o jovem não terá, provavelmente, ainda, total consciência do papel que um professor exigente e competente, no 11º e 12º anos – ao contrário do que aconteceu no 10º ano – e o apoio extra-escola, o prepararam melhor para o exame. Mas há um argumento imbatível: na sua preparação, ele procurou resolver provas de anos anteriores e é peremptório: a prova deste ano era demasiado fácil. O que dá, neste aspecto, razão a Nuno Crato. Até aí, tudo bem. O problema é que este assunto não é uma questão entre NC e ME: ainda alguém acredita no Ministério da Educação?

A gargalhada tão falada há dias, perante mais uma profecia de Walter Lemos, a forma como foi recebida pela opnião pública (anestesiada, embora, pelo Euro 2008), mostra que não, ninguém já acredita no ME. E agora?

Como professor, mantenho muitas dúvidas acerca do caminho que prosseguimos. É que este parece ser mais um problema que nada tem a ver com construtivismo – e tenho visto tantos, ao longo da minha vida profissional!

Nota final: alguém se espanta que um professor fale de professores competentes ou não, exigentes ou não? Se me opus – e oponho, como cidadão e profissional – à política para a carreira docente, não é porque não reconheça diferenças, e grandes, entre o mérito de muitos docentes (comigo no molho, evidentemente). É pela forma como se fala em resolver isso, a forma como isso serve de pretexto para outras coisas que nada me parecem ter a ver com qualidade de ensino. Há muito tempo que não compreendo que nos espantemos ou indignemos pela manifestação, pelos pais, de críticas ao nosso trabalho: não o fazemos em relação a médicos, engenheiros, arquitectos? Não procuramos escolher os melhores profissionais quando está em jogo a nossa saúde? Não falamos alto e bom som contra o enfermeiro X, o médico Y, o funcionário Z? Sem sermos médicos, enfermeiros ou técnicos de outra coisa que… de ensinar.

Um último apontamento: o jovem em questão afirma que trabalhava muito mais no primeiro ciclo do que no segundo e terceiro, com algumas excepções – e é aqui, também, que Nuno Crato pesca e… neste aspecto, com alguma razão!


Tabuadas, preconceitos e leituras em diagonal

21 21UTC Abril 21UTC 2008

Há muito que me parece indecente a forma como Nuno Crato, quando toca ao ensino e ao construtivismo, selecciona as citações que faz. A falta de tempo – e de pachorra – tem adiado uma enumeração de omissões cirúrgicas nas leituras que faz do que não lhe agrada. Eis que encontro, no que diz respeito às tabuadas, NO CURRÍCULO CONSTRUTIVISTA DO PRIMEIRO CICLO, um excelente artigo, publicado por um colega meu, que merece leitura atenta. A ler com calma e, já agora, a consultar os diferentes documentos, porque se aprende muito mais aqui do que em muitas conferências:

http://talkcorner.blogspot.com/2007/10/carta-aberta-ao-nuno-crato.html

Uf!