O Pisa e o mito finlandês…

24 24UTC Setembro 24UTC 2008

O senhor professor José Manuel Silva que, se a memória não me atraiçoa, foi um dos Directores Regionais de Educação do Centro nomeados por este governo, escreve um Telegrama bastante interessante na Região de Leiria da semana passada (ver aqui).

Termina com um desafio que transcrevo:

Se os professores portugueses não são piores do que outros, adivinhe onde falha o sistema.

Não resisto a uma adivinha! Vou tentar, então: será… na falta de vergonha?


11 contra 11

29 29UTC Junho 29UTC 2008

O futebol são onze contra onze e, no final ganha… España!

Gostei do que vi!


O Sol e a Terra… outra vez, ainda e sempre?

26 26UTC Junho 26UTC 2008

Pelos vistos!

Quando, como resultado de uma pesquisa no Google, encontrei um chorrilho de disparates no sítio da Júnior (ver post de 12 de Abril – aqui ) a propósito das causas das estações do ano, entrei em contacto com os responsáveis pelo sítio – o que me deu direito a passar a receber a newsletter. Hoje voltei a procurar informação sobre as estações do ano na Júnior (as newsletter funcionam! O pessoal clica mesmo nas ligações e visita o sítio. Isso, a Júnior sabe e faz bem).

Imaginem a minha extrema alegria ao encontrar, disponível para os meus alunos, esta preciosidade da desinformação:

  • A Terra é como se fosse uma bola muito, muito grande que anda à volta do Sol. Demora um ano a dar uma volta inteira.
  • As estações do ano existem por causa da inclinação da Terra e pela volta que a Terra dá em torno do Sol. Nessa volta há alturas em que passa mais perto dele.
  • Sabias que as estações do ano não acontecem na mesma altura na Terra toda? Por exemplo, quando em Portugal é Verão, em Moçambique é Inverno.
  • Entre a estação mais quente e a mais fria há outras duas. A Primavera fica entre o Inverno e o Verão, e o Outono entre o Verão e o Inverno.
  • As diferenças no tempo entre as estações sentem-se mais nos sítios longe do meio da Terra.
  • Se dividirmos a Terra ao meio, ficamos com duas partes: a de cima e a de baixo.
    Essas metades chamam-se hemisférios e a linha que os divide chama-se Equador. Aí a temperatura é quase sempre a mesma todo o ano.

http://www.junior.te.pt/servlets/Jardim?P=Sabias&ID=398

Anda a Senhora Ministra a preocupar-se com a formação de professores. Anda o Nuno Crato a gastar-se em divulgação da Ciência! Reparem como é simples encontrar o meio da Terra! Reparem como é óbvio que uma esfera (em rotação) se divide ao meio pelo equador!

De facto, deve ser um pouco difícil, com a bola a girar, ou aos pulinhos como na imagem que apresentam, para divertir a canalha, cortá-la ao alto sem a parar. O que seria um desastre. E o que acontecerá às duas metades cortadas pela Júnior, uma vez anavalhadas? Ah! Claro, ficam presas pelo arame!

Será possível? Que fica a saber um aluno com isto, que não soubesse antes de aceder ao sítio? Que fica a saber um aluno, depois de aceder ao sítio? Obviamente, menos do que sabia!

E, ainda (e, pelos vistos, sempre), Júnior insiste em deixar a relação entre distância ao Sol e variação da temperatura!

Mantém-se a pergunta: uma leitura mais extensa do sítio da Júnior mostrará quantas asneiras? E, já agora, onde podemos encontrar informação adequada para orientarmos os nossos alunos para lá?


Exames e Nuno Crato

23 23UTC Junho 23UTC 2008

O meu filho mais novo fez, hoje, o seu exame de Matemática do 12º ano.

Ao início do dia, voltei a ouvir a SPM alertar para a provável quebra de exigência nos exames de 12º a exemplo do que já acontecera com os exames do ensino básico.

Ao almoço, o meu filho confirmou-me que o exame era fácil. Sei que o jovem não terá, provavelmente, ainda, total consciência do papel que um professor exigente e competente, no 11º e 12º anos – ao contrário do que aconteceu no 10º ano – e o apoio extra-escola, o prepararam melhor para o exame. Mas há um argumento imbatível: na sua preparação, ele procurou resolver provas de anos anteriores e é peremptório: a prova deste ano era demasiado fácil. O que dá, neste aspecto, razão a Nuno Crato. Até aí, tudo bem. O problema é que este assunto não é uma questão entre NC e ME: ainda alguém acredita no Ministério da Educação?

A gargalhada tão falada há dias, perante mais uma profecia de Walter Lemos, a forma como foi recebida pela opnião pública (anestesiada, embora, pelo Euro 2008), mostra que não, ninguém já acredita no ME. E agora?

Como professor, mantenho muitas dúvidas acerca do caminho que prosseguimos. É que este parece ser mais um problema que nada tem a ver com construtivismo – e tenho visto tantos, ao longo da minha vida profissional!

Nota final: alguém se espanta que um professor fale de professores competentes ou não, exigentes ou não? Se me opus – e oponho, como cidadão e profissional – à política para a carreira docente, não é porque não reconheça diferenças, e grandes, entre o mérito de muitos docentes (comigo no molho, evidentemente). É pela forma como se fala em resolver isso, a forma como isso serve de pretexto para outras coisas que nada me parecem ter a ver com qualidade de ensino. Há muito tempo que não compreendo que nos espantemos ou indignemos pela manifestação, pelos pais, de críticas ao nosso trabalho: não o fazemos em relação a médicos, engenheiros, arquitectos? Não procuramos escolher os melhores profissionais quando está em jogo a nossa saúde? Não falamos alto e bom som contra o enfermeiro X, o médico Y, o funcionário Z? Sem sermos médicos, enfermeiros ou técnicos de outra coisa que… de ensinar.

Um último apontamento: o jovem em questão afirma que trabalhava muito mais no primeiro ciclo do que no segundo e terceiro, com algumas excepções – e é aqui, também, que Nuno Crato pesca e… neste aspecto, com alguma razão!


Tabuadas, preconceitos e leituras em diagonal

21 21UTC Abril 21UTC 2008

Há muito que me parece indecente a forma como Nuno Crato, quando toca ao ensino e ao construtivismo, selecciona as citações que faz. A falta de tempo – e de pachorra – tem adiado uma enumeração de omissões cirúrgicas nas leituras que faz do que não lhe agrada. Eis que encontro, no que diz respeito às tabuadas, NO CURRÍCULO CONSTRUTIVISTA DO PRIMEIRO CICLO, um excelente artigo, publicado por um colega meu, que merece leitura atenta. A ler com calma e, já agora, a consultar os diferentes documentos, porque se aprende muito mais aqui do que em muitas conferências:

http://talkcorner.blogspot.com/2007/10/carta-aberta-ao-nuno-crato.html

Uf!


O Sol e a Terra: mais longe, mais perto…

12 12UTC Abril 12UTC 2008

Se a órbita da Terra não é redonda, quando é que estamos mais perto – ou mais longe – do Sol?

A resposta é simples: em Dezembro, estamos mais perto; em Junho, mais longe.

Parece estranho, mas é assim. Não é a diferença entre a distância mínima e a distância máxima da Terra ao Sol que provoca as estações do ano – se fosse assim, os Invernos e Verões nos dois hemisférios seriam simultâneos – mas a variação do ângulo de incidência dos raios solares e do período diário de exposição ao Sol, provocadas pela inclinação do eixo da Terra. Pode comprovar este facto recorrendo à obra Introdução à Astronomia e às Observações Astronómicas, de Guilherme de Almeida e Máximo Ferreira, editado pela Plátano, Edições Técnicas.

Se consultarmos o site da Júnior, no entanto, encontramos a seguinte pérola:

No Inverno do Hemisfério Norte, a Terra está no ponto mais afastado do Sol e, por causa da inclinação da Terra, a sua luz e calor chegam mais directamente ao Hemisfério Sul, onde nessa altura é Verão.
Quando a Terra está muito próxima do Sol acontecem as estações intermédias: a Primavera e o Outono.

(Texto copiado em 12 de Abril de 2008, pelas 23 horas e 15 minutos)

Ora a Júnior é uma marca da Texto Editora, responsável por inúmeros manuais escolares.

Poderá, deverá, um professor, aconselhar os seus alunos a consultarem estas páginas quando fizerem as suas pesquisas? Responder-me-ão que não, pelo menos neste caso. E que poderão aconselhar outras, pois sítios destinados a crianças não faltam.

Fica aqui o desafio: para este assunto, quais?

(Voltei ao assunto em 26 de Junho de 2008, depois de ter lido o novo texto da Júnior…)


E agora?

12 12UTC Abril 12UTC 2008

Ontem, à noitinha, vi e ouvi a senhora, com a sua expressão habitual, explicar que ceder à exigência sindical seria nivelar o processo por baixo e que o que “nós” queremos é “puxar” as menos boas – convenhamos: os covis onde essa ralé imunda se acoita – para um nível de excelência. Hoje, despertado como habitualmente pelo noticiário das sete horas, na RDP-Antena1, verifico que ouvi mal ou que, estúpido como sou, não percebi a senhora.

Sim, porque não passará pela minha cabeça a torpe ideia de que, afinal, as posições defendidas por essa encarnação do mal que insistia em “puxar” as boas para baixo, essas pérfidas pretensões, tinham alguma lógica, não eram apenas o acre e tóxico veneno do conservadorismo sindical-comunistóide.

Há, contudo, algumas outras ideias que teimam em passar por cá. Enquanto não desistir de pensar. Tento colocar-me no lugar do outro. É um bom exercício. Mas difícil, porque cada um é como é. Como me sentiria se tivesse de usar evasivas para tentar fugir à constatação de que cedi e cedi bastante, quando faço gala de não o fazer; quando assumo que: a) tenho sempre razão; b) os outros não querem é fazer nada… Não sei, é uma situação demasiado estranha para mim. Mas suspeito que sentiria vergonha. Se a tivesse. O que não é, evidentemente, garantido.

Quando esta gente chegou ao poder, há tempo demasiado, tinha a seu favor, para além de uma maioria absoluta, um enorme tempo sem pressões eleitorais para reformar o país. Aparentemente, fizeram mal os cálculos – tanto assessor, ninguém viu o óbvio? – e uma legislatura não chega. Afrontar meio mundo, humilhar as pessoas, para enfraquecer qualquer oposição, para prosseguir as reformas idealizadas, sem ouvir ninguém, afirmando, ou deixando afirmar, as maiores alarvidades, para desvalorizar qualquer crítica, qualquer alternativa, resultou até se verificar que o calendário não perdoa e que as eleições vinham aí, a galope. E o mais estúpido, incrivelmente estúpido, é que uma boa parte do apoio perdido – se não para sempre, por muito tempo! – poderia ter sido mantido. Se, em vez da boçalidade, da arrogância brutal, se tivesse gerido, de maneira inteligente, as divisões que, necessariamente e evidentemente, existiam e existem – nessa classe, como em qualquer classe profissional. E, já agora, custava muito trabalhar com prazos e calendários minimamente razoáveis? E mesmo, se não fosse pedir muito, racionais?

Pois é! Esquecia-me! Há sempre aquele Princípio de Peter!


Precários

11 11UTC Abril 11UTC 2008

Discutiu-se, ontem, no Parlamento, mais uma vez, a questão da precaridade. Iniciativa do Bloco de Esquerda (ler aqui). É curioso que, tendo ouvido o número gigantesco, avançado pelo BE, num noticiário matinal da RDP – Antena 1, não fui capaz de, nos sítios de diversos jornais, encontrar esses dados. Porquê? Questão secundária, para aqui.

Há algumas semanas, na Região de Leiria, o senhor Professor Carlos André, figura respeitada em Leiria, resolvera não ser prudente e correr o risco de desagradar aos professores (ler aqui). Teve resposta rápida e variada, e a questão prolongou-se. A mim, o que me incomodou, nem foi a fraca desculpa para a descrição do seu percurso profissional e académico. Pareceu-me, isso sim, que a par com a prudência, o senhor professor teria mandado borda fora a decência, ao falar de precariedade como falou. Porque ninguém acredita que não perceba a gigantesca diferença entre a precariedade que descreve (e que poderia fazer sorrir) e a precariedade que, no mesmo jornal e noutra publicação associada, se descrevia abundantemente.

Lembrei-me de uma tira de Astérix, no álbum “A grande Travessia”. É que, uma vez borda fora, há coisas difíceis de recuperar. Ou talvez não.


E há tempo?

6 06UTC Abril 06UTC 2008

Como é que conseguem?

Este ano, não tenho funções de coordenação, no meu agrupamento. Tirando a colaboração com quem as tem, e a participação num grupo de discussão e estudo das questões da avaliação docente, não me posso considerar sobregarregado com actividades. E não tenho tempo de escrever aqui, com alguma regularidade. Não é que isso faça falta ao mundo – ou a mim – mas como é possível que haja quem tanto consiga produzir em blogues? Já me limito a ler meia dúzia e, mesmo assim, nem todos os dias consigo arranjar tempo ou energias para isso!


Aulas? Aulas?! Para quê?!!! Viva o papel!

13 13UTC Março 13UTC 2008

Eu sei que as competências de um professor não se esgotam – quer pelo bom-senso, quer pela lei – nas aulas.

Mas o que não percebo é como é que se avalia um professor sem avaliar uma aula preparada e dada por si.

Deve ser defeito meu, claro.